JORNAL PANORAMA DO ESTADO RJ

A NOVA CARA DA MPB

Era terça-feira, dia 09 de dezembro de 2014, chegava ao meu destino com a seguinte missão, escrever a minha primeira coluna para o jornal Panorama do Estado RJ, que é esta que você, caro leitor, está lendo agora. O local de destino era a rua Álvaro Alvim no centro do Rio de Janeiro. Eu deveria ir ao teatro Rival Petrobrás, casa fundada há 74 anos, palco que já recebeu vários artistas consagrados. Eu fora convidado pela cantora e compositora Juçara Freire (44) para assistir à final do 12º Festival de Música do CEPE Fundão, evento organizado e dirigido por Luiza Ratare. O evento que já existe há 12 anos tem o intuito de dar oportunidade a novos talentos, através de disputas que consistem em avaliar composição, letra e melhor intérprete. Deste modo, os artistas sobem ao palco e são avaliados por um júri. Há também a afinadíssima banda Créu, que se apresenta dando apoio aos cantores que disputam o festival. Agora que apresentei o local e o evento, vamos voltar ao raciocínio inicial. Como dizia, ia pela rua Álvaro Alvim, procurando pelo teatro e tentando ligar para a Juçara, quando encontrei o compositor Marcelo Veigão (44), com sua voz grave, fala baixa e ar calmo, seria ele o segundo candidato a subir ao palco do evento, e este me conduziu para a plateia. Chegando lá sentei-me juntamente com alguns artistas que iriam concorrer naquela noite. Olhei em torno do teatro e observei as cadeiras, o palco, o público ansioso pelo início e as fotos imponentes de artistas consagrados que estavam fixadas nas paredes da casa, uma delas que merece destaque, é a do cantor de timbre grave e aveludado, uma das maiores vozes da MPB, Cauby Peixoto. De repente, subiu ao palco o locutor que anunciou o início do evento. A primeira candidata a subir ao palco foi Sarah Lima (27), que se apresentou cantando a sua música autoral chamada “No mar”. O que pôde ser visto foi o seu desempenho suficiente bom, para nos dar a noção de que se tratava de uma cantora com nível profissional e que poderia estar presente nas rádios brasileiras. A sua apresentação foi vibrante, com uma ótima desenvoltura e afinidade ao caminhar no palco. Após Sarah veio Marcelo Veigão com a música chamada “Tal felicidade”. Dessa vez o homem de ar calmo e voz baixa, mostrou o seu domínio no palco, cantando sua música com toda suavidade e austeridade. E ao longo da noite vários artistas foram se apresentando, e de repente senti um clima nostálgico, pois me via nos grandes festivais e sentia como se estivesse com artistas de épocas passadas. Todo esse ar nostálgico surgiu através da constatação de que temos grandes artistas com letras e arranjos belos, mas que estão fora da mídia. Até que em um desses devaneios nostálgicos fui acordado pelo compositor Valdo Aguiar (66) dizendo o seguinte:

_Ainda dizem que não há bons compositores. Você pode ver que só tem música boa, mas infelizmente não toca na rádio.

Será que Valdo leu os meus pensamentos?

Falando em Valdo...

Eu havia ido exclusivamente para assistir à apresentação da cantora Juçara Freire com o Valdo. Os dois iriam se apresentar em dupla cantando a música Espanhola, do 14 Bis. Juçara que lançou em 2007 o CD Seduzir, vem se apresentando em shows, saraus, festivais e até programas de televisão. Suas músicas e sua voz a colocam no nível de cantoras como Ana Carolina, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte e Zélia Duncan.  Eis aí motivo da minha ida ao festival, acompanhar a trajetória dessa grande cantora, que representa a nova cara da MPB.

Antes do festival ser finalizado, chegou a grande hora de ver a Juçara cantando. Quando foi anunciada a dupla, entrou primeiramente Valdo, que falou ao público sobre a existência de grandes compositores naquele evento, e logo começou a cantar, momentos depois entrou Juçara pela direita do Palco. Pronto. O meu objetivo já estava concluído e havia visto a grande interpretação feita pelos dois. Após eles descerem do palco, ainda tiveram mais duas duplas, e uma delas cantou uma música do Cazuza. Destaque para o cantor Lucas de Castro que parecia ter incorporado a voz de Cazuza.

Após o anúncio da colocação dos candidatos, logo veio a surpresa que seria a confirmação do que eu havia escrito no início deste artigo. A cantora Sarah Lima ganhou dois prêmios dentro da categoria dela, um em terceiro lugar por melhor composição e letra, e outro em primeiro lugar como melhor intérprete. 

A música popular brasileira precisa de novos talentos, que são essas estrelas que nascem a cada dia, e disputam por uma vaga no mercado musical. Eles são a nova cara da MPB.